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Noticias | A realização do cultivo de sementes no país

10/09/2007

Embrapa

O aumento da área de pastagens e a realização do cultivo de sementes no Brasil foram, a princípio, muitas vezes feitos à base da multiplicação vegetativa das forrageiras eleitas pelos pecuaristas. Esse foi o caso do Panicum maximum cv. Colonião e, mais recentemente, espécies do gênero Brachiaria. O desconhecimento de técnicas que possibilitassem o cultivo e o comércio de sementes dessas espécies em escala comercial foi o grande responsável por essa situação.

 

As óbvias vantagens do cultivo de sementes na formação de pastagens e a evidência da viabilidade de produção destas em determinadas regiões resultaram na intensificação da produção e do comércio de sementes. Além do mais, contribuiram para o aumento da demanda, já que facilitava a formação de áreas maiores.

 

Grande parte da demanda foi suprida por "sementes de beira de estrada", ou seja, o cultivo de sementes colhidas em áreas à beira de estradas invadidas pelas forrageiras. Não tardou para que diversos pecuaristas responsáveis pelo cultivo e venda de sementes ingressassem no mercado, realizando o comércio de sementes obtidas em áreas de pastagens vedadas aos animais. Muitos obtiveram desse modo, um amplo cultivo e venda de sementes necessárias para o consumo próprio.

 

A carência de demanda por sementes de boa qualidade, a inexistência do cultivo de sementes básicas, de tecnologia de produção e, algumas vezes, também de escrúpulos, resultaram em um comércio de sementes caracterizado por sementes de baixa pureza física e varietal, baixa viabilidade e alta contaminação por sementes de plantas invasoras. O cultivo de sementes com tais características foi, provavelmente, responsável por muitos fracassos na formação de pastagens.

 

Esse fracasso não foi só ocasionado pelo não estabelecimento da forrageira dada à baixa ou nenhuma viabilidade em relação ao comércio de semente. Também foi devido a problemas de mistura varietal durante o cultivo de sementes, que resultaram em pastagens muito heterogêneas, e devido à contaminação dos lotes por sementes de plantas invasoras indesejáveis, algumas delas até então inexistentes nas áreas semeadas.

 

Em São Paulo, com a introdução do Método CATI de Formação de Pastagens em 1972, foi incentivado o comércio e o cultivo de sementes de capim Colonião. O referido método, inclusive, sugere o comércio de sementes pelo próprio pecuarista e o emprego da chamada "colheita no pano". Concomitantemente, alguns distribuidores passaram a submeter as sementes compradas a beneficiamento, através do emprego de máquina de ar-e-peneira e até mesmo de mesa de gravidade. Foi ainda nesse período que as regiões do Sul da Bahia e do Norte, além do Nordeste de Minas Gerais, firmaram-se como grandes fornecedoras e vendedoras de sementes de capim Colonião.

 

A partir da metade da década de 60, verificou-se aumento considerável na importação e venda de sementes de forrageiras da Austrália, ao mesmo tempo em que a tecnologia de formação e de cultivo de sementes nas pastagens (consorciação gramínea/leguminosa) desenvolvida no país adquiriu certa popularidade entre pecuaristas brasileiros.

 

Essa popularidade, pelo menos em parte, pode ser atribuída à propaganda feita pelas companhias responsáveis por realizar o comércio de sementes. A essas companhias também pode ser atribuída a introdução no Brasil de diversos tipos de sementes brasileiras e cultivares desenvolvidos na Austrália, ainda que para condições geralmente diferentes das nossas, tais como pH do solo mais elevado, ausência de toxidez de alumínio e teor de bases trocáveis geralmente alto.

 
O comércio de sementes de forrageiras da Austrália, entretanto, sofreu queda considerável com a proibição da venda de sementes para o exterior, imposta pelo Ministério da Agricultura em agosto de 1974. A proibição ocorreu devido à ameaça da introdução da "ferrugem da soja", causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, através dessas sementes. Essa proibição inclui as espécies dos gêneros Macroptilium, Glycine, Pueraria e Phaseolus. Ainda assim, em 1975 foi realizado o cultivo de 1.633 toneladas de sementes de forrageiras, num valor total que excedeu US$ 2,80 milhões.

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